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13/06/2018 | Tamanho da Letra A- A+

Diretor do Vidas é um dos presos na Operação Sutura

A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu 15 pessoas de forma temporária e cumpriu outros 32 mandados de busca e apreensão durante a semana, por conta da Operação Sutura, que investiga desvios na área da Saúde Pública por meio de uma organização social (OS) nos municípios de Penha e Itapema, no Litoral Norte do Estado. A investigação é comandada pela Divisão de Combate a Crimes Contra o Patrimônio Público (DCCPP/Deic) e pelo Laboratório de Lavagem de Dinheiro (LAB-LD/Deic), com o apoio do Ministério Público (MPSC) e do Ministério Público de Contas.

Entre os presos está o diretor presidente do Vidas Instituto de Assistência à Saúde, Richard da Silva Choseki. O Vidas atua no Hospital Monsenhor José Locks, de São João Batista, sendo responsável pelo atendimento na recepção, plantão médico, especialidades médicas e exames, além de cirurgias de média complexidade foram terceirizados em 2017 pelo município. A investigação não tem relação com a atuação no município e o Vidas, mas sim com o Instituto Adhoniran, do qual Choseki fazia parte até 2011. Já o Vidas foi fundado em Timbó, no mês de março de 2011.

Os mandados judiciais foram cumpridos nas cidades de Penha, Balneário Piçarras, Joinville, Garuva, Timbó, Balneário Camboriú, Itapema e Sinop (MT). Mais de 80 agentes da Polícia Civil foram mobilizados para a tarefa. De acordo com o delegado Marcus Fraile, da Deic, as fraudes ocorreram entre os anos de 2011 e 2016. Os suspeitos são investigados pelos crimes de corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O sistema funcionava da seguinte forma: as prefeituras possuíam um convênio com a organização social, porém muitos dos serviços que constavam na prestação de contas não eram efetivamente prestados. A organização social, cujo responsável também é dono do Hospital Nossa Senhora da Penha, contratava supostos serviços com empresas que emitiam notas, porém o dinheiro, no fim das contas, retornava aos responsáveis pela OS. 

Polícia diz que desvios ultrapassam R$ 8 milhões

Ao todo, as prefeituras repassaram quase R$ 23 milhões para a organização social investigada. Desse total, a Polícia Civil acredita que até 40% possa ter sido desviado, um valor que ultrapassa os R$ 8 milhões. A investigação começou há dois anos, por uma orientação do Ministério Público de Santa Catarina e do Ministério Público de Contas.

Segundo o delegado responsável, havia três núcleos envolvidos nas fraudes. O primeiro era o de agentes públicos, coniventes com o esquema e que chegavam até mesmo a receber valores dos responsáveis pela organização social. Havia ainda o núcleo familiar, dos dirigentes da organização social, e o núcleo empresarial, que emitia notas fraudulentas de serviços que sequer chegavam a ser realizados. 

Ainda durante essa fase da Operação Sutura, foram sequestrados bens dos investigados, cujos valores são calculados em R$ 1,5 milhão. O prazo para a conclusão do inquérito é de 30 dias. Nesse período, serão tomados depoimentos dos investigados. As prisões temporárias têm um prazo de cinco dias, podendo ser prorrogados por mais cinco.

 

Para Vidas, investigação é sobre Instituto Adhoniran

 

O Instituo Vidas emitiu Nota Oficial, na qual reiterou apoio a todas as ações que visam para o bem comum e da sociedade. Segundo a mesma, o Vidas Instituto de Assistência à Saúde e o Hospital e Maternidade Oase de Timbó esclarecem que, não existe nenhum envolvimento dessas entidades na operação realizada pela Polícia Civil em conjunto com o Ministério Público, denominada Operação Sutura.

A empresa investigada trata-se do Instituto Adhoniran, na qual Richard Choseki  (diretor do Vidas) se afastou em 2011, não tendo portanto, desde tal data nenhum vínculo.

Ressalta ainda, que os fatos investigados no Instituto Adhoniran foram cometidos após a saída de Richard Choseki.

O Vidas Instituto de Assistência à Saúde juntamente com o Hospital Oase, apoiam todas as ações que visam para o bem comum e da Sociedade. As entidades trabalham com transparência em seus contratos e estão pautadas em princípios de valorização de boa aplicação de recursos públicos de forma idônea em todas as suas ações. Por fim, a direção aguarda a apuração dos fatos e tudo será esclarecido.

São João Batista

As investigações não estão relacionadas aos serviços prestados pelo Vidas Instituto de Assistência à Saúde em São João Batista. Parte dos serviços do Hospital Monsenhor José Locks foram terceirizados em 2017 e o Instituto ficou responsável pelo atendimento na recepção, plantão médico, especialidades médicas e exames, além de cirurgias de média complexidade foram terceirizados em 2017 pelo município. O município repassa e investe em média R$ 400 mil por mês. Neste ano, a Prefeitura decidiu repassar também a uma associação a gerência do hospital e espaço público.

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