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04/10/2019 | Tamanho da Letra A- A+

Rede Feminina de São João Batista: 30 anos de amor ao próximo

Há 30 anos, surgia em São João Batista a Rede Feminina de Combate ao Câncer. As conhecidas “mulheres de rosa” fundaram, em 5 de outubro de 1989, uma entidade dedicada à prevenção da saúde da mulher.

Durante todos esses anos, o grupo já ofertou milhares de serviços gratuitos às mulheres tanto de São João Batista, como também de Nova Trento, Major Gercino e Canelinha.

A história da RFCC de São João Batista iniciou a partir da semente lançada por Maria Círia Aragão Zunino, a Círia, atual presidente. Foi durante os sofridos dias no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, ao lado do marido acometido pelo câncer, que ela conheceu a entidade.

No verão de 1989, ao conversar com uma amiga, surgiu a inspiração de trazer a Rede Feminina para o município. “Ela me passou o contato da presidente da Rede estadual, que na época era a Iná Tavares Moelmann, e foi assim que lanceia semente em terra fértil”, conta.

Iná, que foi a fundadora da Rede Estadual, esteve em São João Batista, juntamente com um casal de médicos para repassar o estatuto para o grupo de 12 mulheres que haviam se reunido na casa de Círia.

Na época, o saudoso prefeito Celso Narciso Cim acolheu a entidade e abriu as portas da prefeitura e Secretaria da Saúde, disponibilizando uma sala para o atendimento das mulheres de rosa.

Anos depois, com a ajuda da prefeitura, a RFCC mudou-se para uma sala na antiga sede da Secretaria de Assistência Social, que ficava ao lado da atual sede da entidade. E ali permaneceu até 2006.

“Foi quando fui em uma reunião das Redes do estado, em Florianópolis, e a presidente de Balneário Camboriú disse que estava construindo a sede nova. Perguntei como conseguiu e ela falou da Pró-Vida, central do dízimo de São Paulo”, lembra Círia.

Em contato com a instituição, a Rede Feminina de São João Batista conseguiu também todos os materiais para a construção da atual sede. A mão-de-obra foi custeada com o valor da venda de um terreno doado à entidade pela antiga Usati, que ficava ao lado da Delegacia de Polícia Civil. O atual terreno foi doado pela prefeitura por meio de um contrato de comodato.

 

Olhar humanizado

O objetivo central da Rede Feminina de Combate ao Câncer é fazer a prevenção do câncer do colo de útero e mama. Entretanto, hoje a entidade possui um olhar mais humanizado às pacientes.

Por isso, foi criado o grupo de apoio, onde é feito o acolhimento e ofertado atendimento por um psicólogo, psiquiatra, fisioterapeuta e advogada, tudo de forma gratuita. Essas mulheres se reúnem a cada 15 dias.

Uma das integrantes do grupo é Zélia Rainildes Dimon, 67 anos. Ela tirou a mama em julho do ano passado, pouco tempo depois de descobrir o câncer. E, foi pelo posto de saúde que soube da Rede Feminina. “Não precisei fazer quimio e radioterapia, só a massagem no braço. Mas no particular eu não tinha condições”, conta.

Na Rede, Zélia afirma que foi bem recebida e agora sempre realiza a fisioterapia pelo grupo de apoio. “Gosto muito, fiz muitas amizades aqui. E sempre depois do grupo de apoio, vou para o grupo de artesanato ajudar na produção dos objetos”, ressalta.

O grupo de artesanato é formado por 25 voluntárias que trabalham às terças-feiras. Ali são produzidos enfeites e produtos que são vendidos nos eventos da Rede Feminina.

Maria das Graças Blumtritt, 68, explica que alguns dos materiais utilizados para confeccionar os artesanatos são doados à entidade. Porém, outros são adquiridos para completar os produtos.

Izette Boratti Steil, 70, é também uma voluntária do grupo de artesanato há seis anos. “Sempre digo que o amor me chamou a ajudar esta causa”, diz.

Para ela, a Rede Feminina é sua segunda casa, pois é onde se sente satisfeita e aprende a viver ainda melhor. “Por isso, indico para todas as pessoas. O mundo precisa do voluntariado”, frisa.

Na sede da RFCC ainda tem um espaço do brechó com roupas doadas pela comunidade. A presidente lembra que a entidade recebe, mensalmente, uma subvenção social da prefeitura, além da ajuda da comunidade e empresários nos eventos e pedágios. “Nós, voluntárias, não recebemos salários, mas sim a gratidão de Deus pelo trabalho a nós confiado”, afirma.

 

Coordenadorias

Uma das novidades implantadas pela Rede Feminina, em São João Batista foram as coordenações. Além de presidente da entidade no município, Círia é também vice-presidente da Rede estadual. Por isso, constantemente precisa viajar por todo o estado e para isso, precisa de apoiadoras para manterem os trabalhos em funcionamento.

Atualmente, são nove coordenadorias, como a do grupo de apoio, de eventos, palestras, diretora social, assistente do médico, brechó, artesanato e visitas.

“Além de funcionar perfeitamente, é uma forma de valorizar as voluntárias quanto a esse trabalho. Em contrapartida, fico mais tranquila para viajar sabendo que a entidade está em boas mãos, juntamente com a diretoria, que também ajuda bastante”, comenta a presidente.

 

Comprometimento à causa

Para a atual presidente, ser voluntária é uma realização de vida. Hoje, estando à frente dos trabalhos, vive 24 horas a entidade, “O que mais precisamos hoje, em uma sociedade consumista e capitalista, é o atender, acolher e abraçar de forma humanizada. Escutar as pessoas, pois isso faz muito bem tanto para quem nos procura, mas, mais ainda para nós que estamos aqui”, diz.

Ela ressalta que ser presidente sozinha, não funciona. Por isso, só é possível desenvolver um trabalho bacana, abraçada a todas as demais voluntárias, de forma engajada e comprometida com a causa de amor ao próximo.

 

Serviços oferecidos

Na Rede Feminina de Combate ao Câncer de São João Batista, todas as segundas-feiras, pela manhã, há o atendimento do médico ginecologista.

Já nas terças, quartas e quintas-feiras são realizados os exames preventivos. E, nas sextas, durante todo o dia, tem novamente o atendimento do médico ginecologista por meio de agendamento.

Nas quartas-feiras é oferecido ainda às mulheres do grupo de apoio, sessões de reiki, que é uma terapia natural japonesa para redução do estresse e relaxamento que promove a cura.

Em outubro, por ser um mês voltado para a prevenção do câncer de mama, a Rede Feminina realizará, todas as segundas e terças-feiras, a partir das 17h, o exame preventivo.